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Desenvolvimento Sustentado

Francisco Milanez  professor, ecologista, biólogo e arquiteto.

 

O Início da Questão

Há vários anos, logo depois da metade do século XX, que a humanidade começou a perceber que o seu desenvolvimento tinha problemas. Algumas pessoas começaram a chamar a atenção das outras para a destruição que estava acontecendo na natureza e também para os males que se estava causando ao ser humano devidos a várias  atividades desenvolvidas em nossa sociedade. Estas pessoas foram os primeiros ecologistas e marcaram com sua luta, principalmente, o final  dos anos 60 e início dos 70. O Rio Grande do Sul foi um dos pioneiros mundiais na criação de entidades da luta ambientalista com a AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, em abril de 1971.

Foi devido a estas pressões que em 1972 a ONU realizou, na Suécia, o primeiro Encontro de Cúpula de Meio Ambiente, a famosa “Estocolmo 72”. Lá os governos, diante do caos ambiental que começava a se manifestar em vários locais do Planeta reconheciam que era necessário tomar providências e tratar a poluição provocada pela indústria, agricultura e demais atividades humanas sob pena de nos envenenarmos com os frutos de nosso desenvolvimento. Já os ambientalistas, afirmavam, neste encontro, que não bastava tratar a poluição da atividade humana, era necessário repensar a forma como estávamos nos desenvolvendo. Era preciso ir mais fundo, não bastava apenas tentar corrigir o destino final dos dejetos da sociedade humana. Precisávamos de uma nova forma de fazer as coisas, nova forma de produzir, novos valores sobre os quais reconstruir nossa sociedade para podermos mudar o rumo destrutivo da qualidade de vida, como um todo, do Planeta.

A visão do poder econômico foi a que preponderou e os ambientalistas foram taxados de retrógrados, que eram contra o desenvolvimento da humanidade, que queriam voltar à época das cavernas. Acusações fáceis de serem feitas contra aqueles que não tinham poder sobre os meios de comunicação, nem espaço para pregar suas idéias. Até hoje, muitos atribuem aos ambientalistas uma visão saudosista da humanidade e uma posição contrária a tudo que há de novo e moderno.

O que não é dito é que: os ambientalistas, muito antes da ciência, e muitas vezes contra ela, advertiram o mundo do mal que estava  acontecendo, até então de forma silenciosa,  a poluição do planeta  provocando a destruição irreversível da natureza. 

O que aconteceu depois da Estocolmo 72:

Muitas ações e investimentos começaram a ser realizados no sentido de despoluir os efluentes industriais, tratar os esgotos das cidades e dar destinos melhores aos lixos domésticos e industriais. Mesmo com a constante gritaria dos donos das indústrias, muita coisa foi feita e muitas melhorias obtidas. A situação, porém, seguiu se agravando em muitos setores, provando que eram necessárias reformas mais radicais. Embora sempre negando isto, a ONU começa a falar de desenvolvimento sustentado e usa uma expressão ambientalista para descrevê-lo. Diz que é o desenvolvimento que permite às gerações futuras também continuarem se desenvolvendo. Traz em sua definição, na verdade, uma profunda preocupação com a continuidade das atividades econômicas e não com a preservação da qualidade de vida.

A luta ambiental, porém, segue dizendo  que a sustentabilidade do sistema depende de mudanças muito mais profundas, visto que não há energia nem matéria prima para todos, e que se os países em desenvolvimento continuassem (como de fato continuam) a copiar o modelo de desenvolvimento dominante, o planeta em poucos anos entraria em colapso. Muitas coisas melhoraram mas, as mais absurdas, ainda continuam e crescem a olhos nus.

Um grande exemplo é a quantidade de produtos descartáveis, que foi criada nos últimos anos e segue aumentando cada dia. Os descartáveis são a marca maior do absurdo esbanjamento em que vivemos. Fabricamos milhares de produtos cuja finalidade é serem usados apenas uma vez e virarem lixo da pior qualidade depois. Recentemente, começamos a reciclar como se esta fosse a solução que viabilizasse a existência dos descartáveis. Milhões de dólares são gastos por ano em reciclagem, pelas transnacionais, para desviar a atenção do absurdo principal que é a produção cada vez maior de embalagens que servem apenas aos interesses destas mesmas empresas que hoje, além de lucrar com a venda de produtos, lucram também com  a venda de embalagens já que temos que comprar cada vez uma nova e, que o custo para que eles não necessitem mais lavar nem estocar embalagens é pago pelo consumidor, ficando para eles apenas o lucro. O requinte máximo é a sociedade ainda ter que se endividar para investir em soluções de problemas criados por estas empresas como o entupimento de arroios, aumento enorme na produção de lixo, aumento das doenças provenientes da decomposição destas embalagens como é o caso dos produtos com efeito de hormônio feminino que lixiviam de alguns plásticos e que estão prejudicando a capacidade reprodutiva masculina e seguramente a saúde da mulher também.

A visão tradicional de Desenvolvimento:

Muitos consideram que  desenvolvimento significa  crescimento. Alguns até dizem ser sinônimos. Esta continua sendo a visão predominante no mundo, embora muitos que a pregam já saibam de sua inviabilidade, eles não têm nenhum interesse numa nova visão e na mudança de rumo que iria afetar seus lucros e a forma como os produzem hoje. É fácil de compreender esta visão porque qualquer modificação da forma de produzir equivale a investimentos e todos querem ter o máximo de lucros com o mínimo de investimentos. Por outro lado significa investimentos em projetos de produtos que sejam compatíveis com a visão de sustentabilidade o que exige mais investimentos e riscos. Nenhum destes dois interessa aos investidores. É obvio que se nada de forte for feito por parte da sociedade a lei da inércia de movimento vencerá e as coisas seguirão acontecendo como vêm hoje, de forma errática e destruidora.

O Modelo de Desenvolvimento em Pauta:

A segunda Cúpula da ONU sobre Meio Ambiente foi também sobre Desenvolvimento, a  “Rio 92”, numa demonstração clara de que os ambientalistas tinham razão quando, há vinte anos atrás, diziam que não bastava maquiar as indústrias, tínhamos que repensar o caminho de desenvolvimento que tomamos. Da “Rio 92”, além das convenções como clima e biodiversidade, saiu o mais precioso documento que já obtivemos, a Agenda 21. Ela trata-se de um compromisso dos países de realizarem várias ações em direção a alcançar o desenvolvimento sustentado no século XXI. Cada país tem que criar o seu conselho nacional de desenvolvimento sustentado e, através dele, organizar a elaboração de uma agenda 21 nacional.  Por sua vez , cada estado e cada cidade deveria fazer também a sua, já que cada local tem as suas peculiaridades e, portanto, seus planos têm que ser específicos. A Agenda 21, por sua  natureza e definição, tem que ser construída com a participação da sociedade. Sem isto, ela não vale nada. Feita por técnicos isolados, não tem nenhum valor, o que tem acontecido em vários locais, onde se fazem falsas agendas pelos governos, sem o devido diálogo com a sociedade. Isto não gera nenhum bem, porque ela tem que ser um compromisso mútuo, já que todos depois têm que fazer a sua parte na execução das ações. Os temas que a Agenda 21 trata vão, desde a educação formal e não formal até a preservação dos desertos ou dos oceanos. A questão das mulheres também é tratada na Agenda 21. O fato de estarmos, rapidamente, destruindo a água potável do planeta é abordado. Talvez,  as medidas de defesa da água sejam as mais urgentes que tenhamos que tomar, para combater esta destruição que vai nos levar a guerras e a limitações totais à possibilidade de nos desenvolvermos e até de  mantermo-nos vivo. O clima é outro dos estrangulamentos do planeta. A queima de combustíveis fósseis (derivados de petróleo e carvão mineral) é a principal fonte de destruição do clima da Terra, através de seu aquecimento gradativo. O efeito estufa provocado pelo acúmulo de gases, como o CO2, em quantidades demasiadas na atmosfera, que isolam e não deixam o calor sair como fazia, normalmente, do planeta. A destruição da camada de ozônio e a conseqüente desproteção do Planeta aos raios ultravioleta, através dos CFCs (gases freons) que lançamos constantemente na atmosfera, pode vir a provocar até a ausência de vida sobre a superfície terrestre.

Embora ela não tenha conseguido incluir temas importantes como a energia nuclear e ela traga claramente conceitos inseridos pelo poder econômico, a Agenda 21 trouxe muitas coisas boas, a principal, é o reconhecimento de que não se faz nenhuma mudança substantiva na sociedade sem que a população esteja totalmente envolvida e compromissada. Para isto, ela necessita de mais poder de decisão, de discussão e muito trabalho. Os governos dos países (e o Brasil não é exceção), infelizmente, fizeram muito pouco pela construção de verdadeiras agendas 21 nacionais. Os municípios, porém, foram quem mais se destacaram, nestes 5 anos que se passaram desde seu lançamento na “Rio 92”. O ano de 1997 foi escolhido pela ONU para ser o ano de avaliação do que foi feito nos 5 anos de existência da Agenda 21. Houve uma consulta nacional,  promovida pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em janeiro/fevereiro, em Brasília. Dela saiu um documento sobre o estado das coisas, com a visão da sociedade civil organizada brasileira. Em março, foi realizada a “Rio+5”, no Rio de Janeiro, reunindo a sociedade civil do mundo inteiro para avaliar a implantação da Agenda 21. Em abril, foi realizada, em Nova Iorque, a reunião da CDS - Comissão de Desenvolvimento Sustentado da ONU para preparar a “Cúpula da Terra Rio+5”, em junho, também em Nova Iorque. Com todas estas reuniões, pôde-se ver, claramente, que as grandes conquistas foram realizadas por municipalidades do mundo inteiro. Seguramente, por estarem mais perto das pessoas, os governos municipais estão liderando esta luta de construção de um compromisso popular com o desenvolvimento sustentado. Isto é muito bom porque, embora tenha nascido de cima para baixo, a Agenda 21 inverteu a situação, ao se implantar de baixo para cima. Os poderes locais têm uma maior facilidade de diálogo com as populações e estão mais próximos de seus problemas. Isto tem feito com que as ações locais tenham maior poder de envolvimento e maior legitimidade para realizar as mudanças necessárias. A radicalização democrática produzida através do orçamento participativo em Porto Alegre, que permite à população decidir aonde aplicar os investimentos públicos tem servido de referencial mundial para um caminho em direção à construção de uma agenda 21 local legítima, que realmente signifique um compromisso social-governamental por mudanças de rumo em direção à sustentabilidade.

Mentiras que Atraem:

Não há nenhuma possibilidade de termos grande parte das benesses de nossa sociedade ao alcance de todos. Até mesmo porque quando elas foram pensadas um dos componentes que as forjou não foi o da equidade social. O automóvel, por exemplo, é uma mentira que insiste em ser pregada e que, a cada dia, se investe mais para mantê-la e menos para substituí-la.  Mesmo que houvesse riqueza e combustível para todos termos carros, não haveria como eles circularem, nem haveria oxigênio suficiente para eles queimarem. Não há como fazer circular os automóveis, na densidade humana das cidades atuais, com o tipo de ruas e avenidas que temos, se todos tivessem automóveis. Mesmo só uma minoria tendo automóveis, como hoje, a circulação  já está ficando cada vez mais inviável. Não haveria espaço, nem para eles ficarem parados na rua. Por outro lado, se construíssemos novas cidades só para caberem os automóveis de cada um dos habitantes (isto é impossível em termos de custo, sem falar que as cidades construídas para o automóvel, como é o caso de Brasília, também não funcionam, mesmo com uma pequena parte da população possuindo carro), nelas não haveria ar suficiente para respirar quando boa parte destes automóveis fossem ligados ao mesmo tempo. Se por acaso estes automóveis dispensassem a queima de oxigênio para moverem-se ainda assim iriam dispersar tamanha quantidade de calor que tornaria insuportável a vida nas cidades, sem falar de outros problemas como a poluição dos pneus. É, portanto, uma solução de transporte estruturalmente excludente, visto que não visa atender senão uma minoria da população.

Outro exemplo, é a  agricultura dos agrotóxicos  que destrói, constantemente, a saúde de milhões de pessoas no mundo. Nunca serviu para equacionar a fome (embora sempre tenha usado este discurso), e continua crescendo e destruindo os métodos de produção agrícola alternativos e harmônicos com a natureza, como é o caso da China onde a  agricultura química e mecanizada  está entrando e desempregando massivamente pessoas, ao mesmo tempo que iniciando um grande ciclo de erosão, contaminação e destruição dos ecossistemas e da saúde. A mesma pressão “tecnológica” é exercida sobre outros países em desenvolvimento como a Índia, alguns da África e Américas.

A Agricultura da química continua crescendo, amparada por gigantescos interesses econômicos, a despeito de ser, ao que tudo indica, a maior causadora de doenças degenerativas, em especial do câncer, e de outros males do ser humano, como é o caso da destruição massiva da fertilidade masculina, recentemente detectada e pesquisada na Europa. A própria biotecnologia que diz  estar criando novas espécies transgênicas, também, para combater a fome do mundo, através da maior produtividade, ao invés de lançar uma soja que não precise de agrotóxicos lançou, recentemente, uma soja que permite usar o dobro de agrotóxicos. Isto evidencia que a produção científica também esta sendo controlada pelas empresas que fabricam os venenos.

Podemos citar também a falta de atividade física, que  prejudica a saúde de milhões de pessoas no mundo enquanto, o nosso progresso aponta para cada vez mais inatividade. Coisas assim deixam uma profunda vontade de refletir para entender porque somos tão determinados a nos auto destruir.

Os esforços que fazemos, constantemente, para combater este tipo de desenvolvimento, são abafados pela ambição desenfreada e pelo controle da informação exercido pelo poder econômico neste planeta. Entretanto, acontecem algumas vitórias, lentas mas contínuas, em direção a conscientização dos povos.

Desenvolvimento Sustentado e Sustentabilidade:

É importante esclarecer que embora seja básica para o desenvolvimento sustentado a questão social, tanto que é dito que ele tem que ser socialmente justo. Também tem importância sua faceta econômica por isto deve ser economicamente viável. Não está porém em nenhuma destas duas faces indispensáveis o seu maior desafio e sim no ambientalmente sustentável. Toda a atividade produz impacto ambiental. Estes impactos vão dos mais naturais e reversíveis como produzir fezes e urina aos absolutamente irreversíveis como a extinção de uma espécie de seres vivos. O incrível é que conseguimos transformar até impactos aparentemente inocentes em grandes destruições que acabam produzindo danos irreversíveis como é o caso dos esgotos sanitários das cidades que embora consistam basicamente de fezes e urina estão em concentrações tão grandes que são capazes de destruir rios enormes e matar e extinguir as espécies endêmicas que neles vivam. Portanto o mais inocente dos impactos naturais pode se transformar em devastador quando utilizada uma lógica artificial de concentração de populações sejam humanas ou de porcos, como é o caso dos rios do sudoeste catarinense.

Outros impactos, entretanto, são sempre absolutamente danosos de qualquer forma que sejam realizados, concentrados ou não, como no caso dos agrotóxicos, dos metais pesados, da maioria dos produtos sintéticos de média e longa vida, da erosão e da destruição de ecossistemas.

Sustentabilidade e Planejamento do Desenvolvimento:

Existe aqui um problema estrutural. Num mundo que enfraquece, constantemente, o poder dos governos dos países em desenvolvimento e sua capacidade de proteção e planejamento como forma de expandir os mercados e viabilizar a globalização, que mantém por mais algum tempo a mentira do crescimento constante como forma de desenvolvimento para os países ricos, não é permitido admitir a necessidade de planejamento que qualquer tipo de desenvolvimento responsável traz. Há portanto aí uma incompatibilidade entre a construção de um Planeta em harmonia que tem que necessariamente ser planejado com a participação de todos e a livre iniciativa que pregam os neoliberais, que não admite restrições à iniciativa privada (pelo menos nos países em desenvolvimento já que nos desenvolvidos existe e muito proteção de mercado e planejamento), nem de fronteiras, nem sociais, nem ambientais. O desenvolvimento caótico, excludente, fracionado e, por isto, insustentável é fruto desta liberdade total para somente alguns poderem, de forma totalmente individualista proporem e realizarem as mudanças na sociedade e no Planeta. Por outro lado é fruto da nossa incapacidade, até recentemente, de trabalharmos com a complexidade, exigência básica para o planejamento de um desenvolvimento sustentável.

O Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado

A idéia de desenvolvimento ecologicamente sustentado surgiu da luta ambientalista que dizia ser possível praticar um desenvolvimento, em harmonia com a  natureza, de tal forma que não nos leve a um colapso ou à destruição do planeta. Um desenvolvimento a favor da qualidade de vida como um todo onde não é necessário, nem possível, sacrificar alguns em nome de outros. Esta opção inclui na qualidade de vida de um ser a qualidade de vida dos seres que o cercam, o que não só é justo como de sabida influência ambiental.

Até  pouco tempo, desenvolver-se era desenvolver economicamente ou seja crescer economicamente, ninguém falava de qualidade e sim de quantidade. Por esta razão a qualidade de vida das pessoas foi baixando, cada vez mais. O Desenvolvimento Sustentado traz a idéia de que,  para realmente desenvolver-se, é necessário manter ou aprimorar a qualidade de vida.

Não basta esticar a vida, é, principalmente, necessário que ela seja boa.  A qualidade é a principal característica que a luta ambiental trouxe a um mundo que só se interessava por quantidade e que cada vez vivia, e ainda vive, pior.

Enquanto poucos ficam milionários destruindo o planeta e concentrando cada vez mais o poder econômico, o prejuízo causado por suas atividades é dividido por todos os cidadãos da Terra. Alguns poluem a água para construir sua riqueza e os outros todos têm que gastar o seu parco dinheiro para despoluí-la para utilizá-la. Os pobres, que estão cada vez mais pobres, continuam sofrendo de doenças infecciosas, por falta de condições sanitárias para viver, só que, atualmente, eles começam a ter também doenças degenerativas, oriundas da poluição que eles nunca usufruíram e provavelmente nunca irão. O mundo, através deste modelo inviável e excludente, torna-se cada dia mais um lugar indigno para viver. As provas disto estão em todos os lugares, na violência, na desconstituição da ética, na ciência desrespeitando constantemente a natureza e o bom senso, na solidão e no individualismo. Ao nos afastarmos da natureza, nos transformamos, cada vez mais, em algo digno do termo que criamos para nos diferenciar dela, artificiais.

A Codependência da Vida

Muitos são os conceitos novos que estão envolvidos nessa nova proposta. Dentre eles está o da interdependência da vida, ou seja que todos os seres vivos são interdependentes e por isto precisamos cuidar dos ecossistemas porque são nossa própria vida. Não há possibilidade de saúde se não houver a saúde ambiental, que é igualmente necessária para todos os seres, já que eles evoluíram sob as mesmas condições ambientais. Estamos atávica e irremediavelmente ligados uns aos outros. Isto é um conceito revolucionário que a cada dia comprovamos mais. A saúde, a meu ver, torna-se uma coisa única. Não faz diferença de que parte do corpo falamos, se ela está doente o corpo inteiro está. Isto nos traz um novo tipo de postura que coincide com a sabedoria de muitas visões religiosas de diferentes culturas, épocas e locais. A  visão de que existe um ser que está em todas as coisas e que dá unidade a elas e que gera a necessidade de respeitar ao meio como a si mesmo é a noção que tento introduzir, de saúde interdependente. Não há como ser saudável (equilibrado) comendo seres vivos que não são saudáveis (equilibrados). Sim, porque a saúde, a energia vital, o equilíbrio circulam em todas as cadeias alimentares do Planeta e todos nós recebemos e cedemos nossas vidas para alimentar alguém neste maravilhoso e complexo ciclo da vida. A mesma atmosfera que serviu de suporte ao crescimento das plantas que comemos serviu de suporte para o nosso desenvolvimento por milhares de anos. Temos portanto as mesmas necessidades  que elas e o mesmo ocorre em relação a água, ao solo. Os mesmos impactos ambientais que afetam nossa saúde afetam a vida como um todo no Planeta embora de forma diferente. Temos portanto uma irremediável codependência.

A Educação como Base para a Participação

A grande transformação, porém, dar-se-á, seguramente, através da educação. Não da conteudista informativa, mas da educação que desperte e desenvolva o senso crítico de cada um. Isto porque as respostas não estão aí prontas e, precisam ainda ser encontradas. Isto só poderá ser alcançado através da união de todos. São questões altamente complexas, as que envolvem o meio ambiente, e sua riqueza de relações e influências só pode ser mapeada de forma cooperativa e integrada. Tudo que fizemos até hoje, que nos levou a este desenvolvimento caótico e suicida, foi deixar as coisas acontecerem somente baseadas na iniciativa individual. Daí que, algumas pessoas, para obterem seus interesses, destruíram os interesses de muitos outros. Isto nem sempre se deu com consciência do que estava sendo feito, fato que não tornou os desastres menos penosos. Daqui para frente, urge que pensemos e discutamos para onde queremos ir e que caminho queremos tomar. Este exercício de reflexão, vai nos levar a descobrir como as coisas têm conseqüências incríveis. Como muitos problemas podem ser evitados, se as ações que os causam forem vistas, no meio onde elas se desenvolvem, como um todo de causas e conseqüências. A nova sociedade, criada a luz da integração e compatibilização das ações humanas será, sobretudo, uma sociedade de pessoas educadas, no sentido mais interessante da palavra, no sentido libertário, que têm condições de atuar crítica e propositivamente sobre o mundo em que vivem e constroem de forma totalmente harmônica e não mais fracionada, alienada e manipulada, como atualmente vivemos. Um meio ambiente desafiante, instigante e pleno para a construção de uma vida feliz.

É o momento de retomarmos as rédeas de nosso destino e de criarmos uma sociedade que não seja baseada em mentiras e impossibilidades, e  nem que, em nome de algumas conquistas, precisemos sempre perder as coisas indispensáveis para a nossa realização como seres vivos. Tal sociedade só se construirá através da compreensão da importância que tem tudo que nos cerca, e da interação contínua que temos com nosso meio, do qual fazem parte inclusive as outras pessoas. A sociedade sustentável é este todo, trabalhando como um organismo só, a favor da vida. O que vai de encontro a harmonia do todo é o insustentável, é nossa vida fragmentada  infeliz da atualidade.

Para criarmos este mundo, bastava que não fossemos tão destruidores da capacidade criativa e da autoconfiança de cada criança durante sua vida escolar e social. Grande parte das coisas que nos sentimos incapazes de realizar, não seriam assim, se não tivéssemos passado a maior parte de nossas vidas aprendendo a nos limitarmos e a abandonarmos nossos sonhos. Talvez o melhor que se possa dar a humanidade é omitir as nossas desesperanças e frustrações

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Julio 9, de 2001

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